muita coisa mudou.
Exatamente um ano atrás, eu resolvi que não tinha mais tempo para perder, e resolvi mudar. Algo. Alguma coisa tinha de mudar. Saí da minha toca, meu apartamento, mudei de endereço, deixando para trás coisas que achava que eram importantes, como o meu espaço onde eu podia me esconder e descansar, um monte de livros que eu podia me esconder atrás (literalmente) e até um computador recheado de jogos, meu programa preferido para relaxar. Até posso dizer que pressionado pelas circunstâncias, mas teve mais que um frio na barriga: no dia da mudança chegou a dar febre.
Para ser bem sincero não sabia bem aonde estava me metendo, se ia dar certo. Por muito tempo mantive o discurso que era só por um tempo, que tinha chegado ali "por força das circunstâncias". Que só tinha mudado de lugar, para ter tempo e espaço para pensar. Ou pior que era para conviver com mais pessoas, ter mais ajuda para resolver o meu problema imediato, o peso paquedérmico que me imobilizava, e sinceramente, era mais que um convite para um infarto, já algo era agendado.
É só olhar nas fotos abaixo que dá para perceber que pelo menos este objetivo foi alcançado. 30kg a menos, perdidos e ainda querendo ser encontrados de novo, mas sem dúvida com muito mais saúde e disposição. Mas teve mais outras coisas que mudaram.
Uma delas é eu não dizer, e pensar, que cheguei até aqui por falta de opção, que as coisas foram acontecendo. Teve uma decisão minha, e uma persistência que fez o que era uma idéia virar realidade. Outra é o reconhecimento de quanto a amizade e a convivência com a pessoas me fez mudar, e o quanto eu sentia falta disto.
Mas mais que tudo, saber que eu posso mudar, que não preciso ficar preso naquilo que eu aprendi no passado, nas coisas e crenças que fui acumulando com o tempo, no que eu achava bom em fazer e naquelas que eu achava que não levava jeito. Eu ainda posso pelo menos tentar mudar. Se quero ser vegetariano, bom, só preciso dizer que "estou" vegetariano e começar a agir de acordo. E eu fiz isto, e foi mais fácil que eu imaginava. Não é por causa que eu fui carnívoro de carteirinha que não posso fazer diferente. Só é diferente.


Se eu viajar demais, tentar alguma coisa impossível ou passar por cima de alguém, não vai funcionar ou vou acabar me queimando com isto. Espero que tenha amigos o bastante para lembrar que pular de uma avião sem paraquedas não é muito saudável...
E é isto que eu estou comemorando hoje, poder ser a metamorfose ambulante que Raulzito falava, não para ser do contra, mas porque posso e porque quero uma vida melhor, sem ter que repetir sempre a mesmo coisa, dos memos jeitos. Uma coisa é certo, o lado paparazzo, que por muito tempo foi minha identidade, meu cartão de visitas, não me cabe mais. Não acho mais que o melhor lugar que eu fico na foto é atrás da maquina.
Hoje, e amanhã, e depois, é o primeiro dia do resto da minha vida, e pretendo estar aproveitando e tentando outros caminhos. Vai ser divertido (e algo dolorido) descobrir os limites.