Je suis Charlie, Je suis Charlie, Je ne suis pas Charlie...
Já não cansou? Virou modinha dizer que apoia a liberdade de expressão, a coragem, etc, etc.Mas alguém se preocupa de pensar qual a mensagem que o jornaleco, inspiração e antecessor do Pasquim tentava passar?
Por que os ataques e provocações a muçulmanos, cristãos e aparentemente metade do mundo? Eram comediantes, estilo Danilo Gentili ou os inúmeros autores das "pegadinhas" televisivas, cuja satisfação em primeiro lugar humilhar pessoas? Creio que não, então, vamos por partes.
Vamos começar pela frase: "É preciso que o Islã esteja tão banalizado quanto o catolicismo". Porque? Em outra frase dele dizia que ele respeitava qualquer religião... enquanto ela não se intrometesse na política.
Vejamos. A base de qualquer religião são os Dogmas, as verdades que tem de ser aceitas, sem que existam provas, ou explicacao. "Existe um unico/muitos Deus(es) e Maome/O Papa/Chico Xavier/Buda/Tim Tones é o seu profeta. O mundo foi criado a partir do nada/do milho/do gelo/com os restos de um mundo anterior pela vontade/palavra/risada divina". Até aih, tudo bem. é seu direito acreditar no que voce quiser, existem coisas que nao tem como ser explicadas. Onde acaba o universo, quem criou tudo, o que vem depois da morte.
O passo seguinte de cada Religiao é criar um certo codigo moral. O que voce precisa fazer para o seu Deus gostar de voce. Regras de conduta, a maioria delas até bem positivas. Amar o proximo, nao matar (pelo menos sem um bom motivo), nao roubar. E algumas que com o tempo vao ficando ultrapassadas. Nao comer porco, nao matar vacas, nao comer carne na sexta-feira santa, as mulheres nao devem cortar os cabelos, homens tem de usar barba ou algumas roupas estranhas e tradicionais... Mas até aih, novamente, tudo bem. Bom, jah algumas criticas. Quando as religioes pregam uma submissao da mulher ao homem, por exemplo. Mas nada que nao possa ser discutido a nivel filosofico.
O que Charb e seu colegas eram contra era quando os padres/mulahs/pastores comecavam a se posicionar politicamente e exigir a mesma posicao dos seu fieis. "Se voce é um verdadeiro fiel voce tem ser posicionar contra/a favor certas leis atuais, contra o aborto/camisinha/pilula/a invasao do Iraque/secularismo/mulheres dirigindo carros"... e por aih vai.
Se o fiel pede "porque", a resposta vem "é o Dogma/é a vontade de Deus/a tradicao/é assim que demonstramos nossa fé". Nao é muito justo se apropriar do peso da palavra divina com instrumento de pressao, de todo o peso de uma hierarquia e tradicao. Especialmente as pessoas que estao em uma situacao jah desesperadora, com a pressao social ou economica,soh encontrando consolo na fé.
As leis, apesar de imperfeitas, apesar das distorcoes favorecendo a classe dominante, sao uma forma de consenso. Nunca irao atender completamente os anseios de uma classe, ou de uma religiao. Nao sem um seria revolucao e um "estado de excessao"
Ainda mais quanto duas ou mais religioes que fazem parte de uma sociedade. Um dogma nao tem nada de consenso. Ou voce aceita ou nao aceita, voce cre ou nao cre. Senao vai pro inferno? Entao, antes de dizer "Je suis Charlie", veja se voce apoia este mesmo conceito. Senão, voce esta caindo na mesma hipocrisia que eles tanto bateram. E perferiram morrer a baixar a crista, serem mais políticos..
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
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