quinta-feira, 20 de março de 2014

Aprendiz de feiticeiro

Hoje, do nada
Um poema resolvi criar
Mentira!
Foi para te impressionar

Pego uma caldeirão
E começo a jogar
Sem muita atenção
Palavras de roldão

E passo então a misturar
O melhor que tenho a dar
O doce calor de uma amizade
Melancolia de verdade

Uma sombra de tristeza
A lembrança de uma vileza
Uma pitada de ironia
E um pouco de alegria

Cinzas de uma velha paixão
Um medo de parar o coração
O doce-amargo da saudade
Um corte de sinceridade

E então..
Só falta o baú da memória virar
E de la tirar, frases feitas
Velhas palavras,  rimas bem feitas
Qualquer coisa para ajudar
Este poema completar

E sigo então a murmurar
A velha formula que pode dar
A mágica forma do luar
Ao que estou a misturar

Mas, há, que me diz
Feiticeiro aprendiz
O poema que eu quis
Me escapa por um triz

E agora?
Bem ou mal me quis?






Quem é teu Amigo?

Tu vens a me perguntar
“Que é teu amigo?”
Olha, não sou autoridade
Mas posso aqui assuntar

Amigo, não é o cara festeiro
Pronto para badalar
Que só coisas boas quer lembrar

Deixe lá o xiru velho, trazendo
Dos áureos tempos de outrora
Uma saudade para o agora

Nem o companheiro de luta
Do inflamado discurso a causa
Trazendo algum sentido à labuta

Amigo não é o arauto da desconfiança
Cuidado! Não vá te machucar!
Nem o teu ombro da lamentação
Nem que te alivia a solidão

Amigo é aquele que o olho
É um espelho, pra mostrar
O riso, o pesar
A falha, o brilhar

Tu me perguntas
Quem, o que é teu amigo
Eu te devolvo:

Que amigo és tu?