terça-feira, 26 de novembro de 2019

Sinais dos tempos



Não, não é piada. É a Matrix chegando.

https://www.engadget.com/2019/11/26/cows-with-vr-headsets/


"Cows wearing VR headsets might produce better milk"
"They're happier in virtual fields than confined farms."

Vacas usando visores RV (realidade virtual) podem produzir leite melhor
Eles são mais felizes em campos virtuais do que fazendas confinadas.

Tirem suas conclusoes

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Circulando pelo Facebook, resolvi preservar aqui. Sim, conferi a fonte e dou crédito. Valeu Manno Goes

Percebo nos olhos dos amigos de luta a tristeza e o cansaço. E confesso que muitas vezes em que me olhei no espelho ultimamente não gostei do vi: nossos sorrisos estão mais tímidos, escondidos e raros.

É triste observar o nepotismo, o popularismo, a cretinice, a canalhice, a mediocridade que imperam no país nadarem de braçada à nossa frente.
Sem críticas, questionamentos ou constrangimentos. Há uma espécie de cegueira coletiva, consequência de um país que enlouqueceu, embruteceu e emburreceu.
O pior da direita é que eles não ligam para a História. Não aprendem nada.
Se sentir enojado com esse governo que está aí não significa necessariamente ser “Lula Livre” ou “petista”. Trata-se de uma questão de inteligência mesmo.
Não ser Bolsonaro, esse equívoco histórico horrível, não significa ser Lula.
Então, perceber essa anestesia intelectual, que compactua com coisas como Olavo de Carvalho, terraplanistas, Damares e essa ruma de gente constrangedora e imoral é doloroso.
Observar a defesa sem críticas à Moro e Dalagnol, mesmo diante das perturbadoras mensagens vazadas é desalentador.
Ouvir de amigos afirmações de que Jean Willys “vendeu” seu mandato ao vereador do Rio David Miranda, repetindo um mantra desonesto e completamente sem noção de fake News criados pro Carluxo, através de seu perfil bizarro “pavão misterioso” é muito triste. É ver derretendo uma admiração, um carinho, uma confiança na capacidade intelectual de tais amigos.
Ouvir pessoas próximas defender que as mensagens do Intercept são falsas e que Gleen, um jornalista premiado com um Pulitzer e um Oscar é um “bandido verdevaldo” é profundamente chocante.
Perceber a imaturidade política e desonestidade intelectual em quem você admira é muito impactante.
E sei que não sou só eu que estou passando por isso. Todos nós, que percebemos claramente o esforço feroz de destruírem um projeto de soberania e protagonismo estamos nos sentindo muito tristes. E impotentes. A cada dia é uma surpresa nova. Um choque novo. E uma constatação de que eles não estão ligando.
Sempre foi luta de classes. Sempre foi.
Estamos diante de mais uma: a reforma trabalhista da forma que foi feita; a reforma da previdência tal qual está sendo feita; a vilanização da cultura, do pensamento, do ensino público gratuito; trata-se tão somente de luta de classes.
Nós, que acreditamos em um país mais justo e mais humano, estamos perplexos diante das maldades perpetradas por pessoas que se dizem do bem, conduzidas pela fé e pela palavra de Deus. Nós, que entendemos a palavra de Jesus mesmo sem que necessariamente acreditemos nele como filho de Deus, estamos atônitos. É o oposto do mantra mais simples e repetido de sua palavra: “amai o próximo como a si mesmo”.
Essas pessoas de bem odeiam pobres. Odeiam pretos. Odeiam gays. Odeiam as diferenças. E detestaram ver essas diferenças ocupando espaços antes reservados apenas para eles, os nobres e superiores cidadãos da Casa Grande da nossa eterna senzala.
Luta de classes.
Estamos tristes e adoecidos, é verdade.
Mas é agora, mais do que nunca, que precisamos ficar de pé. De cabeça erguida.
Nenhuma maldade dura para sempre.
É da natureza das coisas a luz vencer a escuridão.
Vamos manter nossa alma, mente e espírito fortes.
Vamos resistir. A maldade perderá um dia, pois assim foi na inquisição, no nazismo, nas ditaduras e assim será mais uma vez.
Reúnam-se com seus amigos de fé e riam, gargalhem, se divirtam.
Quando for inevitável estar com os parentes e amigos “gente do bem cristã”, respire fundo e seja superior. Porque somos superiores. Estamos do lado certo da história. Não desperdice saliva nem tempo. Não se desgaste. Esse tempo já passou. As eleições acabaram, mesmo que eles ainda estejam achando que não. Fique de boa. Observe. E guarde na memória. Será importante lá na frente lembrarmos exatamente de quem foi quem nesse momento obscuro. E sorria.
Esteja mais com quem gosta de estar.
Leia mais livros bons. Assista mais filmes. Mais séries. Passeie mais com quem gosta. Dê mais valor a quem você ama. Se ame mais.
Essa dor vai passar.
Pois toda dor é como nuvem que se forma, se desmancha e vai embora.
E se por acaso queimar a pipoca no microondas, dê risada e jogue tudo fora. Há coisas mais importantes para a gente dar atenção!
Sigamos!
Juntos! 




quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Carta aberta a minha família



(Depois de uma noite mal-dormida)

Sei que te gente acha que eu sou meio radical, que sou PTista, que fui contaminado pelo clima Pró-PT da faculdade, já ouvi tudo isto. 

  • Já discuti sobre as notícias distorcidas da Globo que sempre empurram ‘é tudo culpa do PT’. Sério, vocês deviam ficar um ano sem ver TV para ver como mudam as opiniões.
  • Já apontei várias fake news, incluindo as últimas sobre a não confiabilidade das urnas eletrônicas.
  • Já fiz piada várias vezes ‘ué, não era só tirar a Dilma que tudo melhorava?’, enquanto saúde, educação e direitos humanos eram desmontados e a crise aumentava.
  • Já falei com todas as letras que, infelizmente, a Justiça deixou de ser justa para ser política, pró-PSDB até embaixo d’água.
  • Já cansei de ouvir o PT é corrupto, enquanto todos os instrumentos de combate a corrupção foram desmontados pelo governo interino.

Mas tudo isto não importa. Agora a questão é a minha filha. Repare o cuidado de NÃO colocar o nome dela.

Ontem (10/10/18)  a 2 quadras da minha casa um mulher teve uma suástica ‘desenhada' na barriga. A canivete. Porque estava com uma camiseta expressando uma opinião política #elenao. Pior foi a hipocrisia do delegado que registrou a ocorrência: ‘é um símbolo budista, de amor e fraternidade'.




O que isto tem a ver com a minha filha?

Não é um fato isolado, não é meia dúzia de maluco sem controle, é isto que o tal do candidato Bolsonaro está pregando como futuro do Brasil. 

Um país onde mulher vale menos (ah, é fake. Então escuta aqui: https://www.youtube.com/watch?v=lZZisKgrtWY)

Um país onde vai é recomendado que eu seja metralhado (https://www.youtube.com/watch?v=oUwASS_MOfk) pela minha opinião política

Aonde é um direito do homem estuprar, e o fato de uma mulher ‘merecer’  ou não ser estuprada só depende da disposição do homem (https://exame.abril.com.br/brasil/stj-mantem-condenacao-de-bolsonaro-por-incitacao-ao-estupro/)

Em formato de piada, alguém disse que não é o Bolsonaro de que a gente tem medo. Ele é covarde, é só gritar ‘debate’ que é foge. Eu só vejo ele dizendo que o único remédio é ‘passar fogo’, liberar a polícia pra matar qualquer um que seja visto com vagabundo, descer o relho, etc. Só papo. 

O medo que eu tenho é do vizinho, do colega de trabalho, da pessoa na rua que usa este discurso de ódio pra justificar qualquer coisa. Qualquer coisa.

Alguém contou, em uma semana foram 50 ataques como este em todo o Brasil, usando com DESCULPA que, como o dito vai ser eleito, agora está liberado. Sem contar as histórias que estão circulando de homens 'pressionando' mulheres na rua dizendo que a partir do ano que vem A MULHER NÃO VAI MAIS PODER DIZER NÃO. Seguindo o exemplo do ídolo, é claro. 

Como disse um colega de serviço, quem não está assustado com está onda de ódio é porque ainda não está entendendo. De uma olhada aqui na violência se manifestando: http://mapadaviolencia.org/dt_testimonials/

Isto é o que esta aparecendo pelos postes de Porto Alegre:



Este ATAQUE foi do lado da minha casa, aonde eu passo com a minha filha, não é fake news, nem é exagero. Não é só por este evento, mas com certeza foi a gota d'água. A questão portanto agora é pessoal. Então tomo agora uma posição pessoal.

Venho através desta fazer um apelo a todos os parentes que votaram nesta BESTA no primeiro turno a mudar o voto. Não interessa se tu acha que o PT é ruim, que o Lula é ladrão e merece estar preso, que o PT devia ser extinto ou o que mais seja.

SE você não está disposto a ser pelo futuro da minha filha e contra este MACHISTA e ESTUPRADOR, não espere que eu deixe que ela conviva mais com você. É meu dever como pai. 

Nem espere ouvir de mim. Enquanto ele estiver no poder. No mínimo.

(não se preocupe, vou mandar pessoalmente a quem for de interesse)


Ps: Veja bem, não estou cobrando resultados, nem posição política, só estou querendo saber quem está do meu lado neste caso. E do da minha filha.











terça-feira, 9 de outubro de 2018

Fake News e quem está por trás delas

"Sua tia não é fascista, ela está sendo manipulada

Você se pergunta como um candidato com tão poucas qualidades e com tantos defeitos pode conseguir o apoio quase que incondicional de grande parte da população?

Você já tentou argumentar racionalmente com os eleitores dele, mas parece que eles estão absolutamente decididos e te tratam imediatamente como inimigo no mais leve aceno de contrariedade?

Até sua tia, que sempre foi fofa com você, agora ataca seus posts sobre política no facebook?

Pois bem, vou contar uma história.

O principal nome dessa história é um sujeito chamado Steve Bannon. Bannon tinha uma visão de extrema direita nacionalista. Ele tinha um site no qual expressava seus pontos de vista que flertavam com o machismo, com a homofobia, com a xenofobia, etc. Porém, o site tinha pouca visibilidade e seu sonho era que suas ideias se espalhassem com mais força no mundo.

Para isso, Bannon contratou uma empresa chamada Cambridge Analytica. Essa empresa conseguiu dados do facebook de milhões de contas de perfis por todo mundo. Todo tipo de dado acumulado pelo facebook: curtidas, comentários, mensagens privadas. De posse desses dados e utilizando algoritmos, essa empresa poderia traçar perfis psicológicos detalhados dos indivíduos.

Tais perfis seriam então utilizados para verificar quais indivíduos estariam mais predispostos a receber as mensagens: aqueles com disposição de acreditar em teorias conspiratórias sobre o governo, por exemplo, ou que apresentavam algum sentimento de contrariedade difuso ao cenário político atual.

A estratégia seria fazer com que esse indivíduo suscetível a essas mensagens mudasse seu comportamento, se radicalizasse. Como as pessoas passaram a receber as notícias e a perceber o mundo principalmente através das redes sociais, não é difícil manipular essas informações. Se você pode controlar as informações a que uma pessoa tem acesso, você pode controlar a maneira com que ela percebe o mundo e, com isso, pode influenciar a maneira como se comporta e age.

Posts no facebook podem te fazer mais feliz ou triste, com raiva ou com medo. E os algoritmos sabem identificar as mudanças no seu comportamento pela análise dos padrões das suas postagens, curtidas, comentários.

Assim, indivíduos com perfis de direita e seu tradicional discurso “não gosto de impostos” foram radicalizados para perfis paranóicos em relação ao governo e a determinados grupos sociais. A manipulação poderia ser feita, por exemplo, através do medo: “o governo quer tirar suas armas”. Esse tipo de mensagem estimula um sentimento de impotência e de não ser capaz de se defender. Estimula também um sentimento de “somos nós contra eles”, o que fecha a pessoa para argumentos racionais.

Sites e blogs foram fabricados com notícias falsas para bombardear diretamente as pessoas influenciáveis a esse tipo de mensagem. Além disso, foi explorado também um sentimento anti-establishment, anti-mídia tradicional e anti “tudo isso que está aí”. Quando as pessoas recebiam várias notícias de forma direta, e não viam essas notícias repercutirem na grande mídia, chegavam à conclusão de que a grande mídia mente e esconde a verdade que eles tem.

Se antes a mídia tradicional podia manipular a população, a manipulação teria que ser feita abertamente, aos olhos de todos. Agora, todos temos telas privadas que nos mandam mensagens diretamente. Ninguém sabe que tipo de informação a pessoa do lado está recebendo ou quais mensagens estão construindo sua percepção de realidade.

Com esse poder nas mãos, Bannon conseguiu popularizar a alt right (movimento de extrema direita americana) entre os jovens, que resultou nos protestos “unite de right” no ano passado em Charlottesville, Virgínia que tiveram a participação de supremacistas brancos. Bannon trabalhou na campanha presidencial de Donald Trump e foi estrategista de seu governo. A Cambridge Analytica trabalhou também no referendo do Brexit, que foi vencido principalmente por argumentos originados de fakenews.

Quando a manipulação veio à tona, Mark Zuckerberg foi chamado ao senado americano para depor. Pra quem entendeu o que houve, ficou claro que a democracia da nação mais importante do mundo havia sido hackeada. Mas os congressistas pouco entendimento tinham de mídia social; e quem estaria disposto a admitir que a democracia pode ser hackeada através da manipulação dos indivíduos?

Zuckerberg estava apenas pensando em estabelecer um modelo de negócios lucrativo com a venda de anúncios direcionados. A coleta de dados e a avaliação de perfil psicológico das pessoas tinham a intenção “inocente” de fazer as pessoas clicarem em anúncios pagos. Era apenas um modelo de negócios. Mas esse mesmo instrumento pode ser usado com finalidade política.

Ele se deu conta disso e sabia que as eleições brasileiras podiam estar em risco também. Somos uma das maiores democracias do mundo. O facebook tomou medidas ativas para evitar que as campanhas de desinformação e manipulações ocorressem em sua rede social. Muitas contas fake e páginas que compartilhavam informações falsas foram retiradas do facebook no período que antecede as eleições.

Mas não contavam com a capilarização e a popularização dos grupos de whatsapp. Whatsapp é um aplicativo de mensagens diretas entre indivíduos; por isso, não pode ser monitorado externamente. Não há como regular as fakenews, portanto. Fazer um perfil fake no whatsapp também é bem mais fácil que em outras redes sociais e mais difícil de ser detectado.

Lembram do Steve Bannon, que sonhou com o retorno de uma extrema direita nacionalista forte mundialmente? Que tinha ideias que são classificadas como anti minorias, racistas e homofóbicas? E que usou um sentimento difuso anti “tudo que está aí”, e um medo de os homens se sentirem indefesos para conquistar adeptos?

Pois bem, ele se encontrou em agosto com Eduardo Bolsonaro. Bolsonaro disse que o Bannon apoiaria a campanha do seu pai com suporte e “dicas de internet”, essas coisas. Bannon é agora um “consultor eventual” da campanha. Era o candidato ideal pra ele, por compartilhava suas ideias, no cenário ideal: um país passando por uma grave crise econômica com a população desiludida com a sua classe política.

Logo depois de manifestações de mulheres nas ruas de todo o Brasil e do mundo contra Bolsonaro, o apoio do candidato subiu, entre o público feminino, de 18 para 24 por cento. Um aumento de 6 pontos depois de grande parte das mulheres se unir para demonstrar sua insatisfação com o candidato.

Isso acontece porque, de um lado, a grande mídia simplesmente ignorou as manifestações e, por outro, houve um ataque preciso às manifestações através dos grupos de whatsapp pró-Bolsonaro. Vídeos foram editados com cenas de outras manifestações, com mulheres mostrando os seios ou quebrando imagens sacras, mas utilizadas dessa vez para desmoralizar o movimento #elenão entre as mais conservadoras.

Além disso, Eduardo Bolsonaro veio a público logo após a manifestação e declarou: “As mulheres de direita são mais bonitas que as de esquerda. Elas não mostram os peitos e nem defecam nas ruas. As mulheres de direita têm mais higiene.” Essa declaração pode parece pueril ou simplesmente estúpida mas é feita sob medida para estimular um sentimento de repulsa para com o “outro lado”.

Isso não é nenhuma novidade. A máquina de propaganda do nazismo alemão associava os judeus a ratos. O discurso era que os judeus estavam infestando as cidades alemãs como os ratos. Esse é um discurso que associa o sentimento de repulsa e nojo a uma determinada população, o que faz com que o indivíduo queira se identificar com o lado “limpo” da história. Daí os 6 por cento das mulheres que passaram a se identificar com o Bolsonaro.

Agora é possível compreender porque é tão difícil usar argumentos racionais para dialogar com um eleitor do Bolsonaro? Agora você se dá conta do nível de manipulação emocional a que seus amigos e familiares estão expostos? Então a pergunta é: “o que fazer?”

Não adiante confrontá-los e acusá-los de massa de manobra. Isso só vai fazer com que eles se fechem e classifiquem você como um inimigo “do outro lado”. Ser chamado de manipulado pode ser interpretado como ser chamado de burro, o que só vai gerar uma troca de insultos improdutiva.

Tenha empatia. Essas pessoas não são tolas ou malvadas; elas estão tendo suas emoções manipuladas e estão submetidas a uma percepção da realidade bastante diferente da sua.

Tente trazê-las aos poucos para a razão. Não ofereça seus argumentos racionais logo de cara, eles não vão funcionar com essas pessoas. A única maneira de mudar seu pensamento é fazer com que tais pessoas percebam sozinhas que não há argumentos que fundamentem suas crenças e as notícias veiculadas de maneira falsa.

Isso só pode ser feito com uma grande dose de paciência e de escuta. Peça para que a pessoa defenda racionalmente suas decisões políticas. Esteja aberto para ouvi-la, mas continue sempre perguntando mais e mais, até ela perceber que chegou num ponto em que não tem argumentos para responder.

Pergunte, por exemplo: “Por que você decidiu por esse candidato? Por que você acha que ele vai mudar as coisas? Você acha que ele está preparado? Você conhece as propostas dele? Conhece o histórico dele como político? Quais realizações ele fez antes que você aprova?”

Em muitos casos, a pessoa tentará mudar o discurso para falar mal de um outro partido ou do movimento feminista. Tal estratégia é esperada porque eles foram programados para achar que isso representa “o outro lado”, os inimigos a combater.

Nesse caso, o caminho continua o mesmo: tentar trazer a pessoa para sua própria razão: “Por que você acha que esse partido é tão ruim assim? Sua vida melhorou ou piorou quando esse partido estava no poder? Como você conhece o movimento feminista? Você já participou de alguma reunião feminista ou conhece alguém envolvido nessa luta?”

Se perceber que a pessoa não está pronta para debater, simplesmente retire-se da discussão. Não agrida ou nem ofenda, comportamento que radicalizaria o pensamento de “somos nós contra eles”. Tenha em mente que os discursos que essa pessoa acredita foram incutidos nela de maneira que houvesse uma verdadeira identificação emocional, se tornando uma espécie de segunda identidade. Não é de uma hora pra outra que se muda algo assim.

Duas das mais importantes democracias do mundo já foram hackeadas utilizando tais técnicas de manipulação. O alvo atual é o nosso país, com uma das mais importantes democracias do mundo. Não vamos deixar que essas forças nos joguem uns contra os outros, rasgando nosso tecido social de uma maneira irrecuperável.

P.S.: Por favor, pesquise extensamente sobre todo e qualquer assunto que expus aqui, e sobre o qual você esteja em dúvida. Não sou de nenhum partido. Sou filósofo e, como filósofo, me interesso pela verdade, pela ética e pelo verdadeiro debate de ideias." (Rafael Azzi)

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Quem é que manda aqui?

Tu já se ficou perguntando porque o governo da maior parte dos países sempre tem os tais de “Três Poderes”:  Executivo, Legislativo e Judiciário? Ou só reclamar do ‘governo' já está bom?

Bom, em primeiro lugar, porque funciona. Mais ou menos. Ou pelo menos melhor que todas as outras formas tentadas..

Vamos falar a verdade. Juntou mais que uma dúzia de pessoas, já precisa um chefe pra por ordem na bagaça. Ou é discussão que não acaba mais.

Lá no tempo das caverna, quando o tempo para discussão era menor (era bem mais fácil se morrer de fome, se demorasse demais) chegaram a esta conclusão rapidinho, rapidinho. Mas pouco tempo depois aprenderam uma outra coisa, o poder corrompe. Pra mudar de ‘chefe pra por ordem’ ao ‘chefe-eu-que-mando-aqui-e-tu-cala-a-boca’ era um pulo. Bom, se deixar até hoje ainda é. 

Como as tribos eram pequenas, a falta de um bom caçador/chefe/pau pra toda obra ia ser sentida, tentaram organizar as coisa para evitar que cada chefe se achasse o rei da cocada preta. Mesmo com o processo de impeachment sendo bem mais rápido e direto que hoje, ou seja, uma bordoada na cabeça.  

A resposta foi o tal do ‘conselho dos anciãos’, teoricamente as pessoas mais sábias e experientes. Ou que tinham mais tempo pra ficar discutindo e chegando a um acordo. Será que foi assim que nasceu a política? Bom, não importa. O caso que o chefe/rei/bam-bam-bam/executivo tinha de submeter mudanças maiores no estilo de vida da comunidade ao conselho. 

O que o chefe podia fazer e o que dependia de aprovação.. Bom, aí varia um bocado. Mas na prática.. O que tem de ser feito AGORA e não pode esperar, fica com o executivo. O que vai impactar o futuro e tem de ser bem pensado.. vai pro legislativo. 

Figurativamente.. entrar em guerra com a tribo vizinha porque eles andaram atravessando no nosso lado do rio não é algo que deva ser decidido no grito. Pode ser que era alguém vindo pra negociar. Ou não. Agora, uma vez que começou a confusão, não dá de esperar acordo da maioria sobre pra que lado correr. 

Um outro problema que apareceu com o tempo. Nem todos os ‘legisladores' tem uma ‘visão do todo’, saber para que lado as coisas vão indo. E acabam pensando muito no seu lado, ou pelo menos, no lado ‘o que é o melhor para a minha familia’. Ok, na maior parte as vezes, decisões por maioria controlam isto. Mas tem uma situação que complica: quando o povo entra em pânico. Pode ser um meteoro/sinal divino. Pode ser uma seca. Pode ser um orador criando pânico, mas uma coisa é certa.. Se o povo entra em pânico, o legislativo entra também. O que só piorou quando inventaram eleições/votos. Em caso de dúvidas, procura ‘Tirania da Maioria’ lá na Wikipedia.

Para contrabalançar este pessoal prestes a entrar em síndrome de pânico, entra o conservador-mor, o guardião das tradições, o que acredita que já tem todas as respostas, o… shaman. Ok, junto veio uma série de mitos e histórias meios parabólicas (ou parábolas) do porque as coisas são assim, mas parafraseando um personagem cinematográfico.. magica pode ser algo que voce usa sem entender bem como funciona…

Com o tempo o lado religioso e o guardião das tradições foram separadas, as tradições viraram leis, mas o papel continuou o mesmo: evitar mudança súbitas e de ocasião. 


Ok, pode ser que as coisas não aconteceram bem assim.. o shaman pode ter vindo antes do conselho, em um caso ou outro, tradições e leis religiosas podem ter tido defensores separados desde o inicio, mas o princípio é evitar que qualquer uma das pessoas com poder de decisão vire um ditador de uma hora pra outra. Em ingles, Checks and balances.